O que é ser caipira?

O que é ser caipira? E o que é ser moderno, então? Em todas as edições do Festival Gastronômico Itinerante Sabores da Terra, a gente faz questão de dizer de onde veio. E de apontar, com orgulho, pro futuro da nossa cultura.

Por isso, a gente destaca em toda a comunicação visual do evento frases que nos levam para esse jeito de ser e estar no mundo. E como é?

Ah, dia desses de 2022, na beirinha da 23ª edição no Memorial da América Latina, em São Paulo, botamos a cachola pra pensar. Pra nossa equipe, que é briosa, ser caipira é simples! Quer ver?

Ser caipira é respeitar e cultivar as raízes, porque é um estado de espírito. É, também, preservar e divulgar o trabalho do sertanejo, sabe?

 

É fazer poesia até com a nuvem de pó de estrada. É enxugar o suor depois de rasgar peito de felicidade e aplaudir as conquistas de quem a gente admira.

 

E tem essa coisa gostosa de juntar todo mundo em volta de uma mesa, de olhar para o quintal e produzir sua própria comida. Ah, bão demais!

 

Pra gente, é importante viver na simplicidade e saborear, sem pressa, o tempo das coisas. É enxergar esse mundão de uma forma mais humana. Somos todos caipiras!

caso serio

Ao pé da letra, “Caipira”

Vem de “Caipora” (tupi-guarani):
“entidade fantástica”

Que vem de “Kaá porá” (tupi-guarani)

Que significa:
Kaá < mato > + Pora < habitante de > = “habitante do mato”

Gente do campo!

Bora prosear mais um pouquinho?

O léxico caipira, vulgo “caipirês”, é tão rico que alguns pesquisadores já se debruçaram sobre o tema. É o caso da professora Livia Carolina Baenas Barizon, que apresentou a palestra “Caipira da Cabeça ao Pé” na Cozinha Show da nossa 23ª edição do Sabores da Terra.

Ela contou que a cultura caipira nasceu do intercâmbio com a cultura erudita e que 85% do “caipirês” decorre do galego, língua que deu origem ao português.
Você sabia disso?

A gente se emociona toda vez que lembra do conteúdo que ela trouxe! E que você pode acessar clicando aqui!

Uma boa maneira de “lembrar” das origens da “cultura caipira” brasileira é por meio de pratos da culinária dos “interiores” do país. Ela é baseada no legado de um punhado de povos: índios guaranis (e mamelucos), europeus, africanos. Uns nômades, outros bandeirantes; uns sertanejos, todos itinerantes. O sociólogo e escritor Carlos Alberto Dória, que também já esteve conosco (chique no úrtimo!), nos ajuda a entender mais da cozinha caipira no livro A Culinária Caipira da Paulistânia (2018), escrito em parceria com o chef Marcelo Corrêa Bastos.

Das antigas comitivas, por exemplo, são heranças o bolinho caipira, o rojão, os arrozes e as carnes em fogo de chão, bem como doces de tacho, cozidos, lanches e preparações à base de porco e frango caipira. Se for bom, trata de raspá o prato!

Fonte: Carlos Alberto Dória (2018)

Léxico Caipira

Canção de Ferdi Oliveira

Ah mió do boi

Junta a traia porque o povo já foi

Nois vai mai atrás

Queimando paia do que tanto faz

 

Vamo pega o trecho

Ou ficar mais um tico?

Se ponha reparo

Da pra nóis cascá o bico

E quando for deitar

Bem quietinho eu fico

E aí no sonho eu trupico

 

Vai pica a mula

que daqui a ali é um tirinho

Vê se come tudo

Faz mal pra cachola o bucho vazi

 

Vamo pega o trecho

Ou ficar mais um tico?

Se ponha reparo

Da pra nois cascá o bico

E quando for deitar

Bem quietinho eu fico

E aí no sonho eu trupico

(meto a fuça no meu travesseiro)

 

A capela dos zóio

Quase num abre e é cedo ainda

É que onti a noite farreamo

Mió não falá pra não pagar a língua